domingo, 29 de dezembro de 2013

As 11 melhores leituras de 2013

Primeiramente, feliz Natal!

O meu critério foi simples: postar quais foram os livros que eu dei nota 5 no Skoob, o que acabou sendo onze. A ordem indica somente a sequência que eu li, nada de melhores e piores, e entre parênteses está a data em que eu terminei a leitura.

1- The Descendants, da Kaui Hart Hemmings (15/04)

Leia a minha resenha aqui

"That's how you know you love someone, I guess, when you can't experience anything without wishing the other person were there to see it, too."

Tradução livre: Eu acho que é assim que se sabe que amamos alguém, quando em qualquer experiência nossa fica impossível não desejar que a outra pessoa também estivesse lá para ver.









2-  Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, seleção de Ítalo Calvino (05/06)

Acho uma literatura quase obrigatória. Claro que há contos que eu gostei mais que outros, mas num geral, o livro me satisfez muito mesmo. Ele é dividido cronologicamente: de 1900 aos anos 30, anos 40/50, anos 60, anos 70, anos 80 e anos 90. A cada divisão há um pequeno comentário sobre aquele período e seu contexto. Ao longo da leitura podemos perceber o avanço não só da literatura brasileira, como também da sociedade.

"Compreendera que tudo aquilo era inapreensível: enganara-se ou subestimara o instante ao julgar que poderia guardá-lo".- trecho de O Vitral, de Osman Lins, dos anos 40/50.






3- Room, da Emma Donoghue (14/06)

O que esperar de uma história contada por um garotinho de 5 anos, o Jack, que nasceu já em cativeiro, onde vive com sua Mãe, recebendo visitas de seu sequestrador? Isso mesmo, Room fala de um sequestro e tem reviravoltas geniais. Ponto para essa capa linda e para os erros propositais de gramática e vocabulário do Jack. O livro já foi trazido ao Brasil, com o nome de Quarto.

"How is it home if I've never been here?"

Tradução livre: Mas como é um lar se eu nunca estive aqui?








4- O Caçador de Pipas, do Khaled Hosseini (06/07)

Leia meu comentário aqui

"Algumas semanas depois, o Talibã proibiu as competições com as pipas. E, dois anos mais tarde, em 1998, eles massacraram os hazaras em Mazar-i-Sharif".












5- Aspectos do Romance, do E. M. Forster (19/08)

Livro perfeito para quem gosta e/ou se interessa pela escrita, análise e crítica de romances. É uma coletânea de conferências dadas pelo Forster, com uma linguagem bem simples e acessível.

“O mistério é essencial para um enredo, e não pode ser apreciado sem inteligência. Para o curioso, não passa de mais um “E depois?”. Apreciar um mistério requer que uma parte da mente seja posta de lado, ruminando os pensamentos, enquanto a outra segue adiante.”








6- A Menina Que Roubava Livros, de Markus Suzak (02/09)

Diferente de tudo que você já leu. Uma nova e original perspectiva da Segunda Guerra Mundial, onde a Morte nos conta a história de Liesel e sua relação com seus amados, ovelhas-negras na sociedade nazista.

      ".UMA TURNÊ GUIADA PELO SOFRIMENTO.
À sua esquerda,
                                         talvez à sua direita,
                                      ou até direto em frente,
você encontrará um quartinho escuro.
Nele está sentado um judeu.
Ele é a escória.
Está morrendo de fome.
Sente medo.
      Por favor, procure não desviar os olhos."


7- Loucas Noites- Wild Nights, da Emily Dickinson e tradução da Isa Mara Lando (02/11)

Esse livro recebeu 5 estrelas pelo conjunto: por poesias extremamente sensíveis, pelo fato de ser bilíngue e por ter comentários da tradutora. Eu, como estudante de tradução, achei tudo isso uma dádiva. Também gostei de ter conhecido essa clássica poetisa norte-americana, apesar das controvérsias. Ponto para a diagramação: o livro é cheio desenhinhos e da cor lilás.

"Pass to thy Rendezvous of Light
Pangless except for us -
Who slowly ford the Mistery
Which thou has leaped across!
______________________________

Vai para o teu Encontro em plena Luz
Sem sofrer, exceto por nós -
                                                Que lentamente vadeamos o Mistério
                                                   Sobre o qual tu saltaste, veloz!
                                                  _____________________________________

"Veloz" foi acrescentado como rima para "nós". E, mais uma vez, usar "tu" em vez de "você" favorece o poema (...)"


8- The Illustrated Man, do Ray Bradbury (09/11)

Eu mal sei o que dizer dessa obra-prima. Esse livro é composto por 18 contos: eles são as histórias de cada uma das tatuagens do "homem ilustrado". Todas elas se passam no futuro, onde a mesa faz a nossa comida e já temos colônias em Marte. Eu fiquei totalmente apaixonada pela escrita do Ray Bradbury, é mágica, poderosa. Lembro-me de como suas afiadas descrições me faziam sentir exatamente o que estava escrito. Maravilhoso.

"Can't you recognize the human in the inhuman?" (The Fire Baloons)

Tradução livre: Você não consegue reconhecer o humano no não-humano?





9- O Silêncio dos Inocentes, do Thomas Harris (14/11)

Esse é o segundo livro que a personagem Hannibal Lecter, psiquiatra e serial killer, aparece, mas o primeiro onde ele tem destaque. E um destaque merecido, diga-se de passagem. Ele é minha personagem favorita do livro, cheio de personalidade, truques e surpresas. Todo o enredo é muito bem montado, tudo tem sua razão. A única coisa que não gostei não tem nada a ver com o autor: a tradução deixou muito a desejar. O "traduzir ao pé-da-letra" foi o erro mais corrente e agoniante.











10- Pronunciamentos do Papa Francisco no Brasil (11/12)

Se você gostou do que o Papa disse no Brasil, você vai gostar do livro. Simples assim. Está tudo aí. Recomendo não só aos católicos, mas a qualquer um que tenha se identificado com o Papa Francisco.

"A grande sensação de abandono e solidão, de não pertencerem sequer a si mesmos que muitas vezes surge dessa situação, é dolorosa demais para ser silenciada. Há necessidade de desabafar, restando-lhes então a via da lamentação. Mas a própria lamentação torna-se, por sua vez, como um bumerangue que regressa e acaba aumentando a infelicidade. Ainda poucas pessoas são capazes de ouvir a dor: é preciso pelo menos anestesiá-la"






11- Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa (28/12)

Que. livro. é. esse? Como vocês podem perceber pela data, eu ainda estou sob o efeito desse clássico maravilhoso. Ele pode assustar, pelo tamanho e pela linguagem, mas não se sintam acanhados. Você vai se surpreender do começo ao fim (principalmente no fim). Essa é a história da jornada do jagunço Riobaldo pelos sertões de Minas Gerais e da Bahia, com algumas pequenas passagens em Goiás. É o Riobaldo mesmo que conta, numa conversa que começa na primeira página e termina só no fim. Isso mesmo, não sabemos exatamente quem é o ouvinte das aventuras dele. Só lendo para saber o que é, um épico brasileiro.

"Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data".  




Faixa Bônus


Girl In Translation, da Jean Kwok (08/03)

Quis colocar nessa lista um livro que eu tenha dado 4 estrelas, e entre Jogos Vorazes, Sashenka e O Mundo de Sofia, escolhi esse, por nunca tê-lo mencionado aqui no blog (acredito eu).
Essa é a história de ah-Kim, uma chinesa que vai morar com sua mãe nos Estados Unidos, em busca de uma vida melhor.Vemos a garotinha crescer (o romance é coming-of-age) entre fábricas clandestinas, esforço nos estudos e paixões. Vale muito a pena, principalmente se você gosta de histórias que envolvam culturas diferentes, superação, e onde você pode ver o grande progresso da personagem.

“What a relationship looks like on the outside isn't the same as what it's like on the inside. You can be more in love with someone in your mind than with the person you see every day.”

Tradução livre: A aparência de um relacionamento do lado de fora não é a mesma da de dentro. Você pode estar mais apaixonado por alguém em sua mente do que pela pessoa que você vê todos os dias.


Vocês leram algum livro dessa lista? Gostaram? Deixem nos comentários.

Feliz ano novo! Se você andou lendo meu blog ultimamente, obrigada! Se está lendo só hoje, obrigada também!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Encontros e Visitas

Hoje quero falar um pouco sobre como estamos vivendo nossas relações interpessoais, sobre encontros e visitas, vida "real" e vida "virtual".

Desde as últimas férias de Julho eu estou com essa vontade e inspiração de, cada vez mais, encontrar pessoas, participar de confraternizações, conversas, passeios, ou simplesmente visitas. Tudo isso é consequência de uma semana que eu passei  sem contato nenhum com a internet. Eu até tinha acesso, mas simplesmente não quis porque a vida aqui "fora" estava boa demais para que eu desperdiçasse, com tudo que eu mencionei acima. Claro que havia um motivo especial, era uma semana missionária. Porém, não quis deixar essa chama morrer, e até hoje busco, sempre que possível, continuar esse legado.

Alguns motivos para nossa falta de encontros é essa vida corrida, o cansaço, o desânimo, e, claro, a ascensão das novas tecnologias de comunicação. Se sou contra essas últimas? Não mesmo! Conheci uma das minhas melhores amigas pela Internet, mantenho contato com grandes novos amigos pela Internet, e muito mais. O que não podemos é desdenhar, menosprezar, esquecer o valor e a beleza de sair com a família e os amigos, conhecer novos lugares e pessoas.

Dentro desse tema encontros, há as visitas, que figuram no título dessa postagem porque, para mim, são de extrema importância. Mostram que você se importa com o visitado, que você quer estar junto dele e levar alegria, consolo, apoio, amizade. E visitas não precisam sempre ser no mundo "real". Uma ligação ou até mesmo uma mensagem por celular ou internet para perguntar àquele amigo como foi aquela prova, ver se sua tia está melhor daquela dor, ver se sua prima já terminou aquele projeto da faculdade, e por aí vai...

Espero ter passado minha mensagem: de que esses encontros, visitas e afins adocicam nossa vida, são pérolas de amor e amizade, sementes que não podemos deixar de cultivar.





Até a próxima!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

[Homenagem] Nelson Mandela, um exemplo de amor

Nelson Mandela não se foi. O corpo, sim; o legado, nunca.

Enquanto nos lembrarmos dele, o homenagearmos (e isso devemos fazer sempre, mais e mais), a sua força, a sua mensagem, o seu amor pelo mundo continuará a dar frutos, continuará a mover o mundo.

Um dos meus filmes favoritos é o Invictus, onde Morgan Freeman interpreta Mandela, na adaptação cinematográfica de uma história real: como o presidente da África do Sul uniu um país por meio do esporte, o rugby.

Algo assim tremendo só pode ser alcançado por alguém que ama. Ama de verdade. Ama o mundo, acima de todas sua mazelas. Porque o amor dá coragem. O amor dá esperança. O amor gera amor.

Nelson Mandela nos faz ter orgulho da humanidade. Faz-nos ter esperança na humanidade. É o exemplo de que as coisas boas são mais poderosas do que as ruins.

Abaixo está o poema "Invictus", do inglês William E. Henley, e uma tradução feita por André C. S. Masini. Esse poema foi forte fonte de inspiração para Mandela no exílio.

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid. 
It matters not how strait the gate,
How charged with punishment the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.


Invictus 
Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza. 
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.



 Descanse em paz, Madiba.